Nem sempre o "fortalecimento" vai te livrar da lesão
- há 22 horas
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Texto escrito por Flávia Gonferr - Profissional de Educação Física, sobre a importancia dos exames laboratoriais para garantir a eficácia do treinamento proposto.
Você não vai acreditar, mas nem sempre "fazer tudo certo" - fortalecimento, dieta balanceada, mobiilidade e descanso, VAI TE LIVRAR DE UMA LESÃO! Isso porque, às vezes elevamos nosso corpo à um desgaste tão intenso que mesmo com tudo dentro do esperado, ainda sofremos o impacto.
Por isso, além de fortalecer e cuidar da alimentação é super importante fazer exames laboratoriais.
Realizar exames clínicos e laboratoriais regularmente é uma prática crítica para atletas . Não apenas para “confirmar que está tudo bem”, mas para monitorar biologicamente como o corpo está reagindo aos treinos, à nutrição e às exigências da modalidade. Estudos com grandes grupos de atletas olímpicos mostram que uma proporção significativa (mais de 60 %) apresenta ao menos um marcador sanguíneo alterado mesmo sem sintomas claros. Esse monitoramento é necessário para otimizar saúde e desempenho.
Por que exames clínicos são essenciais para atletas?
para a detecção precoce de desequilíbrios metabólicos e hormonais: Distúrbios começam sem sintomas óbvios, mas podem prejudicar performance ou aumentar risco de lesões se não forem corrigidos.
Ajuste de treinos e recuperação: Exames ajudam a individualizar cargas, volume e períodos de descanso para evitar overtraining (excesso de treino).
Avaliação nutricional e de reservas minerais/hormonais: Indicadores como ferritina, cálcio, vitaminas e hormônios são essenciais para funções musculares, ósseas e metabólicas.
Exames comuns incluem: hemograma completo, glicemia, perfil lipídico (colesterol e triglicerídeos), hormônios (como cortisol, testosterona, TSH/tiroide), ferritina/ferro, cálcio, marcadores inflamatórios e enzimas musculares como CPK.
Como alterações em marcadores bioquímicos podem impactar lesões músculo-articulares
1. Colesterol total, HDL e triglicerídeos
• Um perfil lipídico alterado indica dislipidemia, resultado que pode aparecer mesmo em atletas de elite.
• Embora o impacto direto em lesões musculares não seja tão direto como em cardiovasculares, níveis adversos de colesterol e triglicerídeos refletem desbalanços metabólicos que podem:
✔ comprometer circulação e oxigenação dos tecidos;
✔ predispor a inflamação crônica subclínica;
✔ afetar recuperação tecidual após esforço intenso.
• Lipídios altos estão associados à formação de placas nas artérias (aterosclerose), que com o tempo prejudicam o fluxo sanguíneo e a nutrição dos tecidos.
Conclusão: Dislipidemias prejudicam saúde geral e podem, de forma indireta, dificultar a recuperação muscular e articular.
2. Glicose e metabolismo da energia
• A glicose sanguínea e a sensibilidade à insulina são centrais para a disponibilidade de energia durante o treino.
• Alterações podem indicar resistência à insulina ou dificuldade de captação de glicose pelo músculo, o que reduz a reposição de glicogênio após esforço e eleva fadiga.
• Estudos mostram que flutuações em glicose estão relacionadas a marcadores de dano muscular (por exemplo, creatina quinase), sugerindo que quando a captação de glicose está prejudicada, tende a ocorrer maior estresse muscular após exercícios intensos.
Implicações: metabolismo glicêmico alterado pode reduzir regeneração muscular, aumentar risco de fadiga e agravar microlesões.
3. Ferritina / Ferro
• Ferritina reflete as reservas de ferro, essenciais para transporte de oxigênio e produção de energia aeróbica.
• Deficiências são comuns em atletas (especialmente mulheres), e associam-se à fadiga, menor desempenho e potencial aumento no risco de lesões por menor oxigenação muscular.
4. Cálcio
• O cálcio não é apenas importante para ossos, ele também regula a contração muscular e a sinalização celular.
• Níveis insuficientes podem prejudicar força de contração e a coordenação neuromuscular, aumentando risco de lesões.
• Além disso, desequilíbrios podem afetar sistemas hormonais e enzimáticos envolvidos na recuperação pós-exercício.
5. Hormônios (cortisol, testosterona, TSH, hormônios de estresse)
Desequilíbrios hormonais podem ser um dos maiores fatores que ligam exames clínicos a lesões:
Cortisol elevado
• Pode indicar excesso de estresse físico ou falta de recuperação adequada.
• Níveis altos crônicos estão associados à degradação muscular e menor síntese de proteínas, prejudicando reparação tecidual pós-treino.
Testosterona baixa
• Testosterona ajuda a manter massa e força muscular.
• Baixos níveis tendem a reduzir anabolismo muscular, aumentar fadiga e prolongar recuperação.
• Também há interações entre testosterona e metabolismo lipídico e energético. 
Tiroide e hormônios relacionados (TSH, T3, T4)
• Influenciam metabolismo basal e capacidade de utililização de energia.
• Alterações tireoidianas podem levar a fadiga, queda de desempenho e maior susceptibilidade a lesões.
Conexão com lesões musculares/articulares:
Alterações hormonais impactam diretamente a capacidade de reparar microtraumas musculares, manutenção de tecido conjuntivo e equilíbrio entre catabolismo e anabolismo, uma base fisiológica para uma recuperação deficitária e maior probabilidade de lesão.
Integração: por que todos esses exames importam?
O corpo do atleta funciona como um sistema integrado, onde:
• Marcadores metabólicos (glicose, lipídios) mostram se há energia suficiente e transporte adequado para tecidos.
• Marcadores nutricionais (ferro, cálcio) são fundamentais para função muscular e óssea.
• Hormônios regulam crescimento, estresse, recuperação e resposta ao treino.
Alterações em qualquer desses níveis indicam desequilíbrios que podem levar a:
fadiga muscular mais rápida;
recuperação tardia;
aumento de microlesões que evoluem para lesões maiores;
prejuízo na remodelação tecidual e saúde articular.
Exames clínicos não são apenas burocracia: eles fornecem uma “foto bioquímica” do estado fisiológico do atleta, permitindo intervenções proativas para prevenir lesões e otimizar desempenho — e muitos atletas apresentam anormalidades mesmo sem sintomas visíveis.





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