O seu trabalho pode te adoecer



Texto escrito por Flávia Gonferr, profissional de educação física, falando sobre alguns aspectos das doenças ocupacionais.


A nossa vida é trabalho. Um corre atrás de outro corre. Problemas. Estresse. Tensão. Pressão.


Precisamos produzir. Muito. Nos qualificar ainda mais. Sempre! É um redemoinho que nos consome. Quanto mais nos dedicamos, mais precisamos dedicar. Quanto mais cumprimos metas, mais temos metas a bater.

Pois bem. Isso nos adoece. Porque o nosso corpo fala. Aliás, nosso corpo grita quando tem algo de errado. E quando ele resolve falar, a gente só escuta pela dor que sentimos. A voz do nosso corpo é a dor.


Quanto maior a dor, maior a atenção que ele nos pede: “Ei... olha pra mim! Cuida de mim! Você está e maltratando! ”... e na maioria das vezes, nós precisamos de um interprete (o médico) pra traduzir tanta dor que a gente sente.


O que você não domina, te consome!


O nosso trabalho nos move. Seja lá por qual motivo: necessidade, paixão, ambição, prazer.... Não importa o motivo, mas a gente se dedica muito, se esforça, quer destaque, prosperidade e sucesso. MAS A QUE PREÇO?


As doenças ocupacionais estão tomando conta do ambiente de trabalho. É tanta pressão e cobrança que o corpo não só fala, "ele faz greve e pára". São doenças emocionais e físicas, às vezes, uma decorrente da outra, que resultam em afastamentos, prejuízos econômicos, abandono de carreiras e aposentadorias precoces.


Vamos falar um pouco sobre isso!


Doença ocupacional: o que é?


O termo doença ocupacional é utilizado para designar um conjunto de várias doenças que causam alterações na saúde do trabalhador. Essas doenças são provocadas por fatores diretamente relacionados com o ambiente de trabalho e se dividem em doenças profissionais e doenças relacionadas ao trabalho.


As doenças profissionais são causadas por fatores diretamente relacionados à atividade laboral. As mais comuns são doenças do sistema respiratório e da pele. Os cuidados são essencialmente preventivos, pois a maioria das doenças ocupacionais é de difícil tratamento. Exemplos: asma ocupacional, silicose, asbestose, dermatite de contato, câncer de pele ocupacional. O diagnóstico dessas doenças é facilmente realizado por meio de exames médicos específicos e o nexo causal é presumido.


As doenças relacionadas ao trabalho têm seu desenvolvimento relacionado à associação de fatores de risco individuais, biomecânicos e psicossociais. O diagnóstico é feito por meio de testes clínicos, pois, na maioria das vezes, o que se observam são sinais e sintomas que interferem na realização normal da atividade, sem, no entanto, haver confirmação da doença por meio de exames médicos específicos. Exemplo: um trabalhador com epicondilite lateral apresentará sintomas como dor e redução da força durante a realização de movimentos de extensão do punho. Contudo, um exame radiológico ou ultrassonográfico, por exemplo, pode não identificar qualquer alteração tecidual na região acometida. Nesse caso, na ausência de um exame clínico bem realizado, o trabalhador acometido poderá ser diagnosticado como “sem alterações”. Devido aos múltiplos fatores que podem contribuir para as doenças relacionadas ao trabalho, o nexo causal não ocorre de forma automática.


DORTs e LER


Os Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORTs) e Lesões por Esforço Repetitivo (LER) são definidos como doenças multifatoriais que acometem a população trabalhadora e, em parte, são causadas pelo trabalho, e/ou agravadas, aceleradas ou exacerbadas por exposições ocupacionais, sendo a principal causa de prejuízo na capacidade para o trabalho.


LER e DORT são termos genéricos que procuram caracterizar um conjunto de manifestações patológicas do sistema musculoesquelético, as quais possuem fatores comuns em suas origens a exposição a fatores de risco presentes no ambiente de trabalho.


Podemos citar três categorias de riscos aos quais os trabalhadores estão expostos:

• Fatores de Risco Individuais ou Pessoais.

• Fatores de Risco Psicossociais ou Organizacionais.

• Fatores de Risco Físicos ou Biomecânicos.


Daremos uma atenção especial aos Fatores de Risco Psicossociais ou Organizacionais:

1) Tipo da organização do trabalho (linha).

2) Longas jornadas/hora extra.

3) Trabalho em turnos.

4) Trabalho monótono.

5) Trabalho repetitivo.

6) Trabalho estereotipado.

7) Ausência de pausas.

8) Ritmo.

9) Automatização parcial.

10) Rotação de atividades (requisitos físicos dos trabalhos incompatíveis).

11) Grande demanda de trabalho.

12) Trabalho sazonal.

13) Grandes alterações organizacionais.

14) Perspectiva de demissão.

15) Grande responsabilidade em decisões.

16) Falta de autonomia.

17) Flexibilidade de ação.

18) Clareza sobre o processo do trabalho.

19) Demanda cognitiva.

20) Relacionamento com chefia.

21) Relacionamento com colegas.


Os riscos psicossociais decorrem de deficiências na concessão, organização e gestão do trabalho, bem como de um contexto social de trabalho problemático, podendo ter efeitos negativos a nível psicológico, físico e social tais como estresse relacionado com o trabalho, esgotamento ou depressão.


Os trabalhadores sentem estresse quando as exigências do seu trabalho são excessivas, superando a sua capacidade de lhes fazer face. Além de problemas de saúde mental, os trabalhadores afetados por estresse prolongado podem acabar por desenvolver graves problemas de saúde física, como doenças cardiovasculares ou lesões músculo-esqueléticas.


Para a organização, os efeitos negativos incluem um fraco desempenho geral da empresa, aumento do absentismo, "presenteísmo" (trabalhadores que se apresentam ao trabalho doentes e incapazes de funcionar eficazmente) e subida das taxas de acidentes e lesões.


“O trem é sério”


Se você se identificou com algo descrito no texto, procure um médico e, com o diagnóstico nas mãos, busque por um profissional de educação física. É possível reverter a maioria dos quadros com atividade física. Mesmo em casos crônicos, a atividade física possibilita melhora da qualidade de vida do trabalhador e inibe a incapacidade laboral.


Vale lembrar, que a empresas que prezam por seus funcionários precisam aderir à ginastica laboral como meio preventivo de lesões de seus colaboradores.

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