Sedentarismo, Exercício físico, Doenças Crônicas e o ônus socioeconômico




Artigo escrito por Flávia Gonferr, profissional de Educação Física, dissertando sobre os resultados de pesquisas recentes sobre as consequências do sedentarismo e a falta da prática de exercícios físicos regulares.


Um estudo feito por Gualano e Tilucci (2019) objetivou levar, principalmente profissionais da Educação Física, a reflexão, tomando como ponto de partida o papel da inatividade física sobre a etiologia das doenças crônicas e revelar o imenso potencial do exercício físico como agente terapêutico.


Segundo o estudo e os dados epidemiológicos por ele obtidos, a inatividade física aumenta substancialmente a incidência relativa de doença arterial coronariana (45%), infarto agudo do miocárdio (60%), hipertensão arterial (30%), câncer de cólon (41%), câncer de mama (31%), diabetes do tipo II (50%) e osteoporose (59%).


Considerando a população infantil, os dados apontam que o sedentarismo é considerado o principal fator responsável pelo aumento pandêmico na incidência de obesidade juvenil. Da mesma forma, a inatividade física é um componente agravante do estado geral de saúde em crianças e adolescentes acometidos por várias doenças, incluindo as cardiovasculares, renais, endocrinológicas, neuromusculares e osteoarticulares.


Na população adulta, o estudo demonstra que a inatividade física é um dos grandes problemas de saúde pública na sociedade moderna, sobretudo quando considerado que cerca de 70% da população adulta não atinge os níveis mínimos recomendados de atividade física. O ônus socioeconômico da inatividade física é alarmante: estimativas sugerem que os custos relacionados ao tratamento de doenças e condições possivelmente evitadas pela prática regular de atividade física são da ordem de um trilhão de dólares por ano, apenas nos Estados Unidos.


Por sua vez, a análise quanto a população idosa, as evidências indicam que a inatividade física é independentemente associada à mortalidade, obesidade, maior incidência de queda e debilidade física em idosos, dislipidemia, depressão, demência, ansiedade e alterações do humor.


É cada vez mais notório, o quão importante é a prática regular de atividade física. O American College Sport Medicine, por diversos anos consecutivos, recomendou em suas diretrizes, um programa de Exercícios Físicos que inclua aquisição das aptidões cardiorrespiratória, força e flexibilidade, em volumes e intensidades suficientes para a prevenção de doenças crônicas degenerativas em indivíduos aparentemente saudáveis de todas as idades.


Nota-se, de forma límpida que na atual conjuntura, que uma infinidade de gastos que o nosso sistema (precário) de saúde tem com tratamento de doenças e doentes, poderiam ser minimizados, e tenho a audácia de dizer, que poderiam ser erradicados, se houvesse um incentivo e desenvolvimento de atividade física-práticas corporais; ampliação, valorização e incentivo do uso dos espaços públicos de convivência; demonstrar que a prática de atividade física leva a melhoria da qualidade de vida; promoção de ações multiprofissionais de reabilitação, para reduzir a incapacidade e deficiências e permitir a inclusão social de pessoas nessas condições; elaboração de estratégias de resposta a problemas sedentarismo, obesidade, diabetes, hipertensão ou de outra patologia incidente na população local que tem prevenção e controle através da atividade física; e apoio às equipes da Saúde da Família na abordagem e atenção adequadas aos agravos severos ou persistentes na saúde de crianças e mulheres, entre outras ações.


Se essas práticas fossem implantadas, desfrutaríamos de uma sociedade mais saudável e produtiva. O reflexo disso, não seria apenas na diminuição dos gastos com saúde, mas também com contribuição para o desenvolvimento econômico. Pessoas saudáveis produzem e contribuem. São fisicamente ativas e mentalmente estáveis. Não se aposentam ou se afastam ao menor motivo aparente. Pessoas saudáveis consomem e desfrutam. São seres em evolução, que almejam algo melhor! Logo, o mercado financeiro é aguerridamente aquecido, fomentado por um ciclo crescente: quanto mais a capacidade produtiva, maior o número de consumidores.

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