Prática de exercícios em jejum




Análise de artigos feito por Flávia Gonferr, profissional de Educação Física, sobre a prática de exercícios em jejum.


Hoje em dia ouvimos falar muito sobre jejum intermitente. Existem várias maneiras de se praticar, mas em linhas simples, nada mais é que ficar um longo período sem comer.


Mesmo parecendo estranho, afinal de contas, há anos ouvimos os nutricionistas, nutrólogos e endocrinologistas orientarem a não ficarmos mais de 3h (três horas) sem comer, essa prática tem ganhado muitos adeptos.


Sobre emagrecimento, temos dois tipo: o matemático - menos calorias e maior gasto calórico é igual a déficit calórico e o metabólico – estimula o sistema metabólico através de dieta equilibrada e prática de atividade física.


O modelo metabólico é o mais utilizado e recomendado por profissionais da saúde. Mas então, por que a pratica de jejum vem crescendo tanto? Será que ela é mais eficaz?


Vamos fazer uma análise de vários estudos que foram realizados desde a década de 90 e entender os resultados obtidos!


Na pesquisa de Calles (1991) - Pre exercise feeding does not affect endurece cycle exercise but. Attenuantes post - exercise, starvation – like med. Sci sport exerc, avaliou-se, homens saudáveis que tinham um vo2MAX de 50%. Estes homens foram testados da seguinte forma: ficavam 12 horas em jejum. Após o jejum, um grupo ingeria alimento sólido, o outro alimento liquido e o último apenas água. Faziam exercícios até a exaustão por 1 hora e, aguardavam por mais 1 hora para a coleta dos exames.


Eis os resultados! Chamo atenção para aqueles que ingeriram apenas água, sem nutrientes e ficaram pelo menos 15 horas em jejum (12 horas jejum + 1 hora de preparação + 1 hora de exercício + 1 hora pra coleta de resultados).


Entre o grupo que ingeriu alimento (sólido ou líquido) e os que fizeram jejum (apenas água), observou-se neste último, uma queima de 45 miligramas de gordura por minuto, durante 60 minutos a mais que os primeiros. Então, fez diferença?! - Quase nenhuma! Faça as contas: 45x60= 2700 ml = 2,7 gramas de gordura a mais que os grupos que fizeram ingestão de alimentos.


Outro estudo interessante, comandado por Utter (1999) - Effect of carbohydrate ingestion and hormonal responses on ratings of perceived exertion during prolonged cycling and running. Reuniu triatletas, bem treinados. Os atletas ficavam 12 horas de jejum e praticavam duas horas e meia de exercícios (corrida, bike ou metade de cada). No decorrer da atividade, os pesquisadores mediam a queima de gordura a cada 20, 40, 60, 100, 120 minutos.


A experiência demonstrou uma pequena vantagem de 0,14 gramas de gordura por minuto (= 9 gramas em 150 minutos) na corrida de aos 60, 100 e 120 minutos e no ciclismo, apenas aos 60 minutos. Não houve nenhum dado que demonstrasse algum rendimento decorrente do jejum.

Ah! Mas esses estudos foram feitos há 30 anos! As pesquisas evoluíram! Vamos, então analisar dados mais contemporâneos.


Natalicio (2015) queria demonstrar a eficácia do treinamento aeróbico em jejum no emagrecimento. Avaliou 33 mulheres em 3 situações distintas: na 1ª, elas deveriam percorrer 4km em jejum, sem alterar muito a frequência cardíaca (Z2 - baixa intensidade). Na 2ª, elas deveriam percorrer 4km , na mesma frequência


cardíaca, porém, alimentadas. E na 3ª, elas percorriam os 4km, alimentadas, com maior velocidade e numa frequência cardíaca mais alta (Z4).


O resultado obtido foi: Não houve diferença positiva na 1ª e 2ª situação. Ao contrário, apontou-se uma maior desistência na ocasião do jejum, tendo em vista, que as mulheres não passavam bem, alegavam tontura, enjoo, cansaço e falta de energia. No entanto, a 3ª situação, demonstrou otimização na performance, com melhora de condicionamento e maior emagrecimento.


Outrossim, após esse breve estudo, que poderia se desdobrar por páginas e mais páginas, de tantas pesquisas que já foram feitas, o que se conclui é que não há eficácia na prática de exercícios em jejum. Algumas pequenas vantagens encontradas, não justificam o sacrifício e o mal-estar que horas sem comer proporcionam.


Ficar sem comer por períodos tão longos e de forma recorrente, pode afetar seu sistema metabólico, hormonal e imunológico. Pode também, acarretar em patologias crônicas com severos riscos a saúde.

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